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Auxílio-acidente por lesão no ombro: manguito rotador, luxação e a limitação que fica
O ombro é a articulação que mais deixa sequela em quem trabalha com o braço acima da cabeça. Depois da cirurgia e da fisioterapia, o movimento raramente volta ao que era. Este texto explica quando essa limitação gera auxílio-acidente, o que o laudo precisa medir, o que o perito procura e como o tipo de trabalho muda a análise.

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Lesão de ombro tem um padrão conhecido: dor que começa ao levantar o braço, ressonância que mostra o manguito rotador rompido, cirurgia, meses de fisioterapia — e, no fim, um ombro que funciona, mas não como antes.
Esse “não como antes” é exatamente o que o auxílio-acidente indeniza.
As lesões que costumam gerar sequela
- Ruptura do manguito rotador, parcial ou total, operada ou não.
- Luxação recidivante, com instabilidade que se repete.
- Fratura de clavícula ou de úmero proximal com consolidação viciosa.
- Lesão do lábio glenoidal, o chamado SLAP.
- Capsulite adesiva com perda permanente de amplitude.
- Tendinite calcária crônica com limitação funcional persistente.
O que precisa estar medido no laudo
Em ombro, a palavra que decide é amplitude. O relatório médico útil traz números, não adjetivos.
- Amplitude de movimento em graus: elevação, abdução, rotação interna e externa, comparadas ao lado saudável.
- Força muscular graduada e presença de atrofia.
- Achados de imagem: ressonância antes e depois, descrição da cirurgia e do material utilizado.
- Histórico de tratamento: infiltrações, sessões de fisioterapia, resposta obtida.
- Descrição do que ficou impossível ou penoso: levantar peso acima do ombro, dormir sobre o lado, dirigir, pentear o cabelo.
Por que a profissão muda a análise
A lei compara a sequela com o trabalho que a pessoa habitualmente exercia. A mesma limitação pesa de formas diferentes:
- Pintor, eletricista, gesseiro e montador trabalham com o braço elevado o tempo todo.
- Cabeleireiro, açougueiro e cozinheiro repetem movimento de abdução por horas.
- Motorista de caminhão e operador de máquina dependem de força e de rotação.
- Auxiliar de limpeza e estoquista levantam peso acima da cabeça.
- Em atividades sentadas e sem esforço, a mesma lesão pode não configurar redução.
Por isso a descrição da rotina de trabalho vale tanto quanto o exame de imagem. E quando a lesão tem origem no próprio serviço, some-se a discussão do nexo, tratada em doença do trabalho e nexo técnico.
O caminho do pedido
- Aguarde a consolidação: enquanto há cirurgia programada ou fisioterapia em curso, o caso ainda é de auxílio por incapacidade.
- Reúna as imagens antes e depois e o relatório cirúrgico.
- Peça o relatório funcional com as medidas em graus.
- Descreva por escrito a sua atividade real.
- Requeira pelo Meu INSS e leve tudo impresso à perícia.
Perguntas frequentes
Cabe se restou limitação, ainda que parcial. O benefício indeniza a redução, não a incapacidade total.
Muda o enquadramento. Quadros degenerativos agravados pelo trabalho entram pela via da doença ocupacional, com discussão de nexo — e o auxílio-acidente também alcança sequela de doença do trabalho.
Não. A comparação legal é com a atividade que você exercia habitualmente antes da sequela.
É a negativa mais comum, e costuma ser enfrentada com laudo funcional medido em graus e, se preciso, perícia judicial com ortopedista.
Pode requerer, mas o pedido tende a ser tratado como incapacidade temporária. O auxílio-acidente pressupõe lesão consolidada.

Advogado inscrito na OAB/MT. Este conteúdo apresenta regras gerais e não substitui a análise de uma situação específica. Atualizado em 08 de setembro de 2026.