Direito TrabalhistaAnálise jurídica
Clarão de solda atingiu os olhos: atendimento e provas do acidente
A radiação ultravioleta do arco de solda pode causar lesão ocular aguda. O atendimento, a identificação da tarefa e os registros de proteção ajudam a apurar o evento sem substituir diagnóstico oftalmológico.
Neste artigo5 tópicos
- Proteção e regras aplicáveis
- Como documentar a exposição
- Consequências jurídicas
- Perguntas frequentes
- Síntese
Informações sobre análise individual.
Canal oficialApós exposição ao clarão de uma solda elétrica, um trabalhador pode sentir dor ocular, lacrimejamento ou sensibilidade à luz. O Ministério da Saúde registra que ceratite aguda por radiação ultravioleta durante soldagem pode ser caracterizada como acidente de trabalho; sintomas devem ser avaliados por profissional de saúde.
A exposição pode ocorrer com o próprio soldador ou com outra pessoa que permaneça próxima sem proteção adequada. Para apurar o episódio, importa saber o tipo de processo, duração, distância do arco e se havia máscara de solda ou anteparo entre o arco e os demais trabalhadores.
Proteção e regras aplicáveis
A NR-6 lista a máscara de solda entre os equipamentos para proteção dos olhos e da face contra partículas, radiações ultravioleta e infravermelha e luminosidade intensa. A NR-15, Anexo 7, trata das radiações não ionizantes e prevê avaliação por inspeção do local para caracterizar insalubridade quando falta proteção adequada.
A discussão sobre adicional de insalubridade e a apuração de um acidente agudo são temas diferentes. A existência de máscara ou de exposição habitual não resolve, por si só, a causa e as consequências de um episódio específico.
Como documentar a exposição
- relatório médico com achados e data do atendimento;
- tipo de soldagem, local, tempo e posição do trabalhador em relação ao arco;
- identificação da máscara, filtro, estado, entrega, treinamento e uso previsto;
- anteparos, telas, avisos e organização das tarefas de outras pessoas no entorno;
- testemunhas, ordem de serviço, registro interno e CAT, se emitida.
Não provoque nova exposição para “testar” a proteção nem deixe de buscar avaliação porque os sintomas diminuíram. Guarde os documentos do atendimento e peça que a empresa registre o evento com os detalhes da atividade.
Consequências jurídicas
A Lei 8.213/1991 permite enquadrar como acidente do trabalho lesão relacionada ao exercício da atividade, desde que preenchidos os requisitos legais. A relação entre radiação e quadro ocular precisa ser analisada clinicamente; a emissão de CAT comunica o evento, mas não determina sozinha nexo, incapacidade ou indenização.
Se houver afastamento ou sequela, mantenha exames e relatórios de acompanhamento. Eventual benefício previdenciário e responsabilidade civil são avaliados por critérios próprios e dependem das circunstâncias comprovadas.
Perguntas frequentes
A fonte médica do Ministério da Saúde descreve ceratite aguda após exposição à radiação ultravioleta da solda elétrica. A confirmação do quadro cabe ao profissional de saúde.
Não necessariamente. Outras pessoas próximas ao arco também podem ser expostas; distância, anteparos e proteção devem ser investigados.
A NR-6 especifica proteção da máscara de solda, mas adequação, estado, uso e proteção de terceiros precisam ser avaliados na situação concreta.
Síntese
Dor ocular após clarão de solda merece avaliação médica e registro imediato do processo, da posição e das proteções. A prova clínica e a reconstrução do ambiente são essenciais para distinguir exposição, diagnóstico e repercussão jurídica.
- NR-6 — Ministério do Trabalho e Emprego
- NR-15 — Ministério do Trabalho e Emprego
- Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos — Ministério da Saúde
- Lei 8.213/1991 — arts. 19 a 21
Leia também o guia sobre acidente de trabalho, CAT e direitos.

Advogado inscrito na OAB/MT. Este conteúdo apresenta regras gerais e não substitui a análise de uma situação específica. Atualizado em 07 de novembro de 2026.