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Direito PrevidenciárioAnálise jurídica

Auxílio-doença por epilepsia: crises, medicação e as atividades incompatíveis

Na epilepsia, a incapacidade raramente é contínua: ela decorre do risco da crise e do efeito da medicação. Este texto explica como se demonstra frequência e controle das crises, quais atividades são incompatíveis por questão de segurança, o que o relatório neurológico precisa registrar e quando o caso migra para incapacidade permanente.

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Boa parte das pessoas com epilepsia trabalha normalmente, e é justamente por isso que o pedido exige precisão: o que gera incapacidade não é o diagnóstico, é a combinação entre frequência das crises, controle pelo tratamento e risco da atividade.

Os três fatores da avaliação

  1. Frequência e tipo das crises — generalizadas com perda de consciência têm efeito diferente de crises focais.
  2. Controle pelo tratamento — quadro refratário, com crises apesar da medicação adequada, é o cenário mais grave.
  3. Risco da atividade — o mesmo quadro é compatível com trabalho administrativo e incompatível com direção profissional.

Atividades tipicamente incompatíveis

  • Direção profissional de qualquer categoria.
  • Operação de máquinas, prensas, serras e empilhadeiras.
  • Trabalho em altura, andaime e telhado.
  • Trabalho com eletricidade energizada.
  • Atividades com porte de arma.
  • Trabalho isolado, sem possibilidade de socorro imediato.
  • Ambientes com fonte de calor ou risco de queda em água.

O que o relatório precisa registrar

  1. Tipo de epilepsia e classificação das crises.
  2. Frequência atual e data da última crise.
  3. Medicação em uso, doses, níveis séricos quando disponíveis e trocas já tentadas.
  4. Eletroencefalograma e exames de imagem.
  5. Efeitos colaterais que interferem no trabalho — sonolência, lentificação, tremor.
  6. Restrições expressas recomendadas pelo neurologista.
  7. Registro de crises presenciadas no ambiente de trabalho, se houver.

Afastamento, readaptação ou aposentadoria

Quando o quadro é refratário e a atividade é de risco, discute-se readaptação em função compatível. Sendo inviável a readaptação e persistindo a incapacidade, o caminho é a aposentadoria por incapacidade permanente.

Havendo impedimento de longo prazo com barreiras e sem qualidade de segurado, cabe examinar o BPC por deficiência.

Perguntas frequentes

Quadro controlado costuma ser compatível com o trabalho, salvo em atividades de risco em que o próprio risco residual é incompatível.

É elemento forte quando a função depende de direção: demonstra, por avaliação de terceiro, a incompatibilidade com a atividade.

Dispensa motivada por doença que gere estigma pode ser considerada discriminatória, com direito a reintegração ou indenização. O tema está em nosso texto sobre dispensa discriminatória.

Não consta da lista de dispensa. Exigem-se as 12 contribuições, salvo se houver outra hipótese aplicável.

Vale documentar o episódio e buscar avaliação neurológica com restrições por escrito, que orientam tanto o afastamento quanto eventual readaptação.

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Pedro Rodrigues Montalvão Neto, advogado em Cuiabá
Escrito e revisado por — OAB/MT 30.021

Advogado inscrito na OAB/MT. Este conteúdo apresenta regras gerais e não substitui a análise de uma situação específica. Atualizado em 08 de setembro de 2026.

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